
sábado, maio 17, 2008
quinta-feira, maio 15, 2008
O Vento na Ilha
O vento é um cavalo:
ouve como ele corre
pelo mar, pelo céu.
Quer levar-me: escuta
como percorre o mundo
para levar-me para longe.
Esconde-me em teus braços
por esta noite apenas,
enquanto a chuva abre
contra o mar e contra a terra
a sua boca inumerável.
Escuta como o vento
me chama galopando
para levar-me para longe.
Com tua fronte na minha
e na minha a tua boca,
atados os nossos corpos
ao amor que nos abrasa,
deixa que o vento passe
sem que possa levar-me.
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e procure
galopando na sombra,
enquanto eu, submerso
sob os teus grandes olhos,
por esta noite apenas
descansarei, meu amor.
[Pablo Neruda] in Os Versos do Capitão
ouve como ele corre
pelo mar, pelo céu.
Quer levar-me: escuta
como percorre o mundo
para levar-me para longe.
Esconde-me em teus braços
por esta noite apenas,
enquanto a chuva abre
contra o mar e contra a terra
a sua boca inumerável.
Escuta como o vento
me chama galopando
para levar-me para longe.
Com tua fronte na minha
e na minha a tua boca,
atados os nossos corpos
ao amor que nos abrasa,
deixa que o vento passe
sem que possa levar-me.
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e procure
galopando na sombra,
enquanto eu, submerso
sob os teus grandes olhos,
por esta noite apenas
descansarei, meu amor.
[Pablo Neruda] in Os Versos do Capitão
Um olhar triste...
PALAVRAS...
Engulo palavras pronunciadas.
Mastigo-as depois de degustadas.
São tantas as palavras...
Boas e más.
Umas me comovem,
Outras me entristecem
Gosto das palavras doces...
Tristes são, as de saudades e despedidas.
Atrozes são, as que machucam a vida.
Boas são, as que nos iluminam
e melhoram a nossa auto-estima.
Não engulo,
As que nos subestimam.
Mas, as que me alimentam,
São as que falam de amor!
[Tereza Neumann]
Mastigo-as depois de degustadas.
São tantas as palavras...
Boas e más.
Umas me comovem,
Outras me entristecem
Gosto das palavras doces...
Tristes são, as de saudades e despedidas.
Atrozes são, as que machucam a vida.
Boas são, as que nos iluminam
e melhoram a nossa auto-estima.
Não engulo,
As que nos subestimam.
Mas, as que me alimentam,
São as que falam de amor!
[Tereza Neumann]
Discurso sobre a paz
Já no final de um discurso extremamente importante
o grande homem de Estado engasgado
com uma bela frase oca
escorrega
e desamparado com a boca escancarada
sem fôlego
mostra os dentes
e a cárie dentária dos seus pacíficos raciocínios
deixa exposto o nervo da guerra:
a delicada questão do dinheiro.
[Jacques Prévert]
o grande homem de Estado engasgado
com uma bela frase oca
escorrega
e desamparado com a boca escancarada
sem fôlego
mostra os dentes
e a cárie dentária dos seus pacíficos raciocínios
deixa exposto o nervo da guerra:
a delicada questão do dinheiro.
[Jacques Prévert]
terça-feira, maio 13, 2008
Für einen Wunderwollen Menschen
Für einen wundervollen Menschen
Für einen wundervollen Menschen
Ich bin froh, dich zu kennendarf dich einen Freund nennen
Das mein Herz dich nie vergisst
Weißt du, wenn du diese Zeilen liest.
Auch wenn wir uns nicht immer sehen
Denk ich, dass wir uns stumm verstehen
Wenn dir mein Gehör abwesend erscheint
Ist es doch niemals böse gemeint.
Wenn Du mich brauchst, rufe mich
Sobald ich
kann, bin ich da für Dich
Denn so sollte Freundschaft sein
Niemand von uns ist jemals allein.
Bist du traurig, tröste ich dich
So gut, wie du es tust für mich
Du bist da, das macht mir Mut
Dich zu kennen, tut mir gut.
Autor desconhecido
Für einen wundervollen Menschen
Ich bin froh, dich zu kennendarf dich einen Freund nennen
Das mein Herz dich nie vergisst
Weißt du, wenn du diese Zeilen liest.
Auch wenn wir uns nicht immer sehen
Denk ich, dass wir uns stumm verstehen
Wenn dir mein Gehör abwesend erscheint
Ist es doch niemals böse gemeint.
Wenn Du mich brauchst, rufe mich
Sobald ich
kann, bin ich da für Dich
Denn so sollte Freundschaft sein
Niemand von uns ist jemals allein.
Bist du traurig, tröste ich dich
So gut, wie du es tust für mich
Du bist da, das macht mir Mut
Dich zu kennen, tut mir gut.
Autor desconhecido
Meer - gedanken
segunda-feira, maio 12, 2008
Invento
Deponho
suponho e descrevo
a pulso
subindo pela fímbria
do despido
Porque nada é verdade
se eu invento
o avesso daquilo que é vestido
[Maria Tereza Horta]
suponho e descrevo
a pulso
subindo pela fímbria
do despido
Porque nada é verdade
se eu invento
o avesso daquilo que é vestido
[Maria Tereza Horta]
sábado, maio 10, 2008
Espero
Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
[Sophia de Mello Breyner]
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
[Sophia de Mello Breyner]
sexta-feira, maio 09, 2008
quinta-feira, maio 08, 2008
O velho do espelho
Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto...é cada vez menos estranho...
Meu Deus, Meu Deus...Parece
Meu velho pai - que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar - duro - interroga:
"O que fizeste de mim?!"
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga...Que importa? Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!-
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste...
[Mário Quintana]
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto...é cada vez menos estranho...
Meu Deus, Meu Deus...Parece
Meu velho pai - que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar - duro - interroga:
"O que fizeste de mim?!"
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga...Que importa? Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra!-
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste...
[Mário Quintana]
quarta-feira, maio 07, 2008
Chicotada
Corre, tempo! Depressa!
Que eu oiça o movimento!
Faz ressoar o vento,
O tropel agoirento dos teus passos,
E leva-me nos braços,
Como um pai desumano do passado,
A esse apetecido
E odiado
Altar,
Onde, fiel a um Deus desconhecido,
Me vais sacrificar.
[Miguel Torga]
Que eu oiça o movimento!
Faz ressoar o vento,
O tropel agoirento dos teus passos,
E leva-me nos braços,
Como um pai desumano do passado,
A esse apetecido
E odiado
Altar,
Onde, fiel a um Deus desconhecido,
Me vais sacrificar.
[Miguel Torga]
terça-feira, maio 06, 2008
SOPRO
É naquele remoto sopro dentro do coração
que cada um reconhece o seu destino.
O sonho mais proibido: a ideia de um infinito
por fim quotidiano deixado em sorte
ao corpo do amor.
Rendido e prisioneiro para conservar intacto
o seu sabor, subtraído ao vazio havido entre as coxas
longamente, em vão, como a água que todavia desliza da mão.
[Paolo Ruffilli]
que cada um reconhece o seu destino.
O sonho mais proibido: a ideia de um infinito
por fim quotidiano deixado em sorte
ao corpo do amor.
Rendido e prisioneiro para conservar intacto
o seu sabor, subtraído ao vazio havido entre as coxas
longamente, em vão, como a água que todavia desliza da mão.
[Paolo Ruffilli]
Não me acordes
De Repente
Olho-te espantado:
Tu és uma Estrela do mar.
Um mistério estranho.
Não sei...
No entanto,
O livro que eu lesse,
O livro na mão.
Era sempre o teu seio!
Tu estavas no morno da grama,
Na polpa saborosa do pão...
Mas agora enchem-se de sombra os cântaros.
E só o meu cavalo pasta na solidão.
[Mário Quintana]
Tu és uma Estrela do mar.
Um mistério estranho.
Não sei...
No entanto,
O livro que eu lesse,
O livro na mão.
Era sempre o teu seio!
Tu estavas no morno da grama,
Na polpa saborosa do pão...
Mas agora enchem-se de sombra os cântaros.
E só o meu cavalo pasta na solidão.
[Mário Quintana]
segunda-feira, maio 05, 2008
sábado, maio 03, 2008
quinta-feira, maio 01, 2008
Like a broken LEGO...

Não tenho mais 20 anos. Mas também não me lembro de como os perdi. Não sinto necessidade de saber nem a hora nem a estação do ano, porque aquele comboio partiu há muito e nunca mais esperei por ele. Recordo-me sobretudo do amor feito de momentos apaixonados e cálidos, de esperanças satisfeitas e outros com sonhos de futuro como nos contos de fadas.
Olho-me ao espelho friamente e o meu tempo real não me pergunta se continuo a ser anárquica ou conformista. Já não existe aquele amor para sempre, apenas carícias cúmplices do desejo, ternura ou paixão controladas, como virtudes necessárias.
Não me restam lágrimas de arrependimento como quando naqueles 20 anos chorava o desamor com fúria desatada. Agora que (sem querer) me vence uma certa esperança de que os meus dias podem de novo ter vivências como aquelas, que eram um privilégio capaz de me cegar, obrigo as manhãs e as noites dos meus dias a não encontrarem resposta nos good old times dos meus felizes vinte anos e sinto um leve desencanto. Será que o meu brinquedo favorito se partiu para sempre na minha alma, como uma construção de Lego que se desmoronou mas que a minha consciência vai ser capaz de me ajudar a reerguer? Neste momento não me interessa saber qual irá ser o desfecho.
Tenho dúvidas se devo crescer para mudar esta pele onde ficaram tatuadas as minhas recordações juvenis para que nasça uma nova, sem cicatrizes, embora nunca me tenha arrependido de nenhuma das minhas vivências.
Disto tenho eu a certeza, nada me pode provocar ansiedade nem arrastar pelas trilhas da incerteza porque, apesar de tudo, conservo o cheiro do AMOR sobre o meu peito, o coração impregnado de música... e as mãos cheias DELE.
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