domingo, outubro 19, 2008

No Limite

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Imaginação

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quarta-feira, outubro 15, 2008

Por trás da palavra há o caos

o caos antecede o tempo
o tempo antevê o homem
o homem antepara o caos

o caos antecede o tempo antevê
o homem antepara o caos

o caos
antepara o homem
antevê o tempo
antecede o caos

[Camilo Mota]

quinta-feira, outubro 09, 2008

UM ROSTO

Apenas uma coisa inteiramente transparente
o céu, e por baixo dele a linha obscura do horizonte
nos teus olhos, que pude ver ainda
através de pálpebras semicerradas, pestanas húmidas
da geada matinal, uma névoa de palavras murmuradas
num silêncio de hesitações. Há quanto tempo,
tudo isto? Abro o armário onde o tempo antigo
se enche de bolor e fungos; limpo os papéis,
cartas que talvez nunca tenha lido até ao fim, foto-
grafias cuja cor desaparece, substituindo os corpos
por manchas vagas como aparições; e sinto, eu
próprio, que uma parte da minha vida se apaga
com esses restos.

[Nuno Judice]

domingo, outubro 05, 2008

Stampf


sexta-feira, outubro 03, 2008

Os primeiros dentes


quinta-feira, outubro 02, 2008

O mar

O mar é triste como um cemitério,
Cada rocha é uma eterna sepultura
Banhada pela imácula brancura
De ondas chorando num albor etéreo.

Ah! dessas no bramir funéreo
Jamais vibrou a sinfonia pura
Do amor; só descanta, dentre a escura
Treva do oceano, a voz do meu saltério!

Quando a cândida espuma dessas vagas,
Banhando a fria solidão das fragas,
Onde a quebrar-se tão fugaz se esfuma.

Reflecte a luz do sol que já não arde,
Treme na treva a púrpura da tarde,
Chora a saudade envolta nesta espuma!

[Augusto dos Anjos]

quinta-feira, setembro 25, 2008

domingo, setembro 21, 2008

Indícios de Outono


Inicio do Outono


Fim de tarde

sexta-feira, setembro 19, 2008

A rua do meu café…


domingo, setembro 07, 2008

O Guarda-Chuva

Meses e meses recolhida e murcha,
sai de casa, liberta-se da estufa,
a flor guardada (o guarda-chuva). Agora,
cresce na mão pluvial, cresce. Na rua,
sustento o caule de uma grande rosa
negra, que se abre sobre mim na chuva.

[Mauro mota]

Promessas

Estava eu só Passou... Sorriu... Olhei-a...
Estremeceu. Estremeci. Sucede
que o imprevisível manda e a gente cede.
No céu azul brilhava a lua cheia.

Depois... as consequências... — Quem as mede
se a razão, sem razão, já titubeia?
E o mar acariciando o ardil, na areia:
"O vinho é bom sorver antes que azede!"


Vai-se o verão. Agora é frio e neva.
Palavras sem valor, o vento as leva.
As juras antecedem as desditas.

Um instante de amor — eternidade!
Dois instantes de amor — fidelidade'
... Nem todas as mentiras foram ditas.

[Miguel Russowsky]

Momentos imortalizados

quarta-feira, setembro 03, 2008

Madrepérolas


terça-feira, setembro 02, 2008

Subtilíssimo eterno

Subtilíssimo eterno que habita
minhas saletas interiores
onde trago o tempo guardado
nocturno e resignado

subtilíssimo eterno interior
que como um tálamo é
em minha alma limpa e sofrida
como água dormida em pedra

que eterna seiva alimenta
este tempo em mim retido
plumagem livre de flor
forma exacta imperecível

sinto-te assim como um trunfo
branda coroa do eterno
além das nuvens, das águas
ouço o teu metal desperto

se existes no ser completo
na cinza móvel das sombras
por que retiras de mim
tudo o que em mim não é pântano?

[César Leal]

segunda-feira, setembro 01, 2008

Maravilha

quarta-feira, agosto 27, 2008

Meditações

terça-feira, agosto 26, 2008

quarta-feira, agosto 20, 2008

Do inferno

Do inferno voltei contemplando o vazio
Em meu corpo trago os sinais
Das batalhas que lutei
Das armas que usei
Das mortes que causei
Numa vertigem sufocante
Sou um ser errante
Que nas veias corre, o fluido coruscante.
Que transforma a dor, numa orgia alucinante.
Incertos passos caminhei,
Que nunca pude vislumbrar
A extensão de minha inocência
Cristalizada em forma e cor
Perdidos passos,
Perdidas almas eu deixei
Em regiões fronteiriças
Do inferno eu voltei
Estou no limiar
E continuo a contemplar.

[Aura Sorrentino]

O Relógio Da Matriz

toda noite
quando badala
o relógio da matriz

os homens da cidade
se recolhem
para contar carneiros
e sonhar dinheiros

e morrem a cada batida
do relógio da matriz

os mortos da cidade
então festejam
as badaladas na igreja
remoçando a terra.

[Alexandre Mariano]

Admirável

segunda-feira, agosto 18, 2008