quarta-feira, janeiro 18, 2012

Lição sobre a água

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

[António Gedeão]

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Poema da malta das naus

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do sol.

Deu-me o vento defeição,
levou-me ao cabo do mundo.
Pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.

Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das praias,
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.

Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me as gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a mão direita benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
Do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

[António Gedeão]

sábado, janeiro 07, 2012

Porque hoje é sábado ...


domingo, janeiro 01, 2012

Foto


sábado, dezembro 03, 2011

Uma nesga


Descobertas


Lisboa


segunda-feira, setembro 12, 2011

Algures ...


sexta-feira, setembro 09, 2011

Lisboa


segunda-feira, agosto 29, 2011

sexta-feira, agosto 26, 2011

Farol



Cabo da roca



terça-feira, julho 26, 2011

Limiar

Somos ainda o limiar - espessa
nuvem embrionária. Verdes,
imaturos crustáceos
emergimos
à superfície grávida
das ondas. Somos
o medo ou sua
improvável renúncia. O que
sabemos do
amor, da morte, é só
difusa,
opaca,
luminosa fábula.

[Albano Martins]

segunda-feira, julho 25, 2011

O discurso do silêncio

Eu falo sobre o silêncio
o da morte, o do medo
o da traição
o de sentir pulsar a natureza
sem os tumores de aço e de betão

Eu falo sobre o silêncio
o que fica se alguém parte
o de deixar ouvir a música
o das fotografias
o noctumo, o sideral

Eu falo sobre o silêncio
que é o magma original
onde regressam as vozes
movimentos, mutações

Eu choro sobre o silêncio
Quando abro a janela
já a morte atravessa a manhã


[José Carlos Teixeira]

sexta-feira, julho 22, 2011

quinta-feira, julho 21, 2011

Que de nós dois

Que de nós dois
O mais sensato sou eu,
- E uma forma delicada
De dizeres que sou mais velho.
Ora é verdade
Ser eu quem tem mais idade.
Mas daí a ter juízo
Vai um abismo tão grande
Que é preciso,
Com certeza,
Que o digas com ironia
E nenhuma simpatia
Pelo engano em que vivo.
O engano de ter rugas
E nunca fitar um espelho...
Vê lá tu que eu não sabia
Que sou dos dois o mais velho.

[Reinaldo Ferreira]

domingo, julho 10, 2011

Café


terça-feira, maio 31, 2011

Amigos das bicicletas

segunda-feira, maio 16, 2011

Um rio de luzes

Um rio de escondidas luzes
atravessa a invenção da voz:
avança lentamente
mas de repente
irrompe fulminante
saindo-nos da boca

No espantoso momento
do agora da fala
é uma torrente enorme
um mar que se abre
na nossa garganta

Nesse rio
as palavras sobrevoam
as abruptas margens do sentido


[Ana Hatherly]

sábado, maio 07, 2011

domingo, abril 24, 2011

Pois ...


Amanhecer


sexta-feira, abril 15, 2011

doca


Da minha janela


segunda-feira, abril 11, 2011

Fim de ciclo